Cada companhia deve posicionar-se como um centro de excelência de promoção para a saúde e estilo de vida saudável para os seus colaboradores.

Na Natureza, são os organismos mais capazes e eficazes, os mais bem adaptados, que sobrevivem. É o processo de Evolução das espécies que lhes dá vantagem competitiva face aos pares. Para as empresas há um paralelismo evidente: como organismos vivos e dinâmicos, estão cada vez mais sujeitas às mudanças do meio e à crescente competitividade do mercado. A adaptação das empresas aos novos paradigmas económicos dita a sua continuidade e longevidade no mercado, pelo que os seus recursos e infra-estruturas têm obrigatoriamente de acompanhar estas mudanças.

Mas se no mundo biológico, os processos evolutivos gozam de alguns milhões de anos para aperfeiçoar a sua engenharia genética, no sector empresarial estas alterações são rápidas e insurgentes, e trazem consigo um crescente número de novas necessidades que têm de ser correspondidas.

Ao nível interno das empresas, este novo paradigma económico aporta novos riscos para os colaboradores, com impacto não só na sua produtividade mas também na sua saúde e bem-estar. Maiores cargas de trabalho, horários laborais irregulares, pressão dos timings e dos resultados conduzem a um desequilíbrio profundo na qualidade de vida dos recursos humanos, com consequências graves na sua saúde cardiovascular e psicossocial. Os primeiros sintomas numa empresa pouco saudável não tardam a fazer-se notar: o aumento do absentismo, a baixa moral e motivação sentida no local de trabalho, o alargamento dos prazos de resposta, a redução de eficácia dos processos, entre outros. Consequentemente, e ao mesmo tempo, observa-se a redução da lealdade dos colaboradores à empresa e a sua capacidade (ewilingness) para “vestir a camisola e percorrer o quilómetro extra”.

Urge a necessidade de evoluir, de alterar o ADN das empresas e adaptá-las também às condicionantes internas. A criação de um ambiente laboral de excelência, que promova a saúde e bem-estar dos colaboradores, tem um impacto directo na produtividade e sustentabilidade dos negócios. Como preconiza a OMS: “(…)a prevenção primária de doenças e lesões profissionais é um factor de sucesso para a economia e para a sustentabilidade das empresas e das comunidades, uma vez que evita lesões, incapacidades, sofrimento humano e perda de rendimento”. Colaboradores mais saudáveis traduzem-se em empresas mais saudáveis e produtivas e, por isso, as chefias deverão ter esta como uma prioridade nos seus planos de acção.

Cada companhia deve, então, posicionar-se como um centro de excelência de promoção para a saúde e estilo de vida saudável para os seus colaboradores. Admitindo que o trabalhador comum passa cerca de um terço do seu dia-a-dia no local de trabalho, criam-se oportunidades valiosas de promover um ambiente saudável que possa ser replicável e extrapolável para a sua vida pessoal e familiar.

É fundamental, por isso, estabelecer um ponto de partida e medir a actual saúde dos colaboradores, avaliando não só as condições laborais da empresa, mas personalizando também a análise individual dos colaboradores, levantando as suas necessidades específicas. A definição de objectivos específicos de evolução de saúde global da empresa deverá ser acompanhada por um plano de acção tailor made que acompanhe de forma regular os colaboradores, na óptica do health coach, devendo ser activados os recursos necessários para garantir a obtenção de resultados. O compromisso deverá ser tanto individual como colectivo, uma vez que, quanto maior for a integração das equipas e do envolvimento da empresa nos objectivos de saúde propostos, maior será a dedicação de cada colaborador ao seu papel específico nesta missão da empresa.

Desta forma as empresas reforçarão o seu papel de responsabilidade social e criarão alicerces sustentáveis, valorizados pelos seus colaboradores, que contribuem para o reconhecimento da empresa e da sua reputação.

Project Manager do programa Empresas + Saudáveis